domingo, 21 de agosto de 2016

AUTOANÁLISE CAPÍTULO UM

AUTOANÁLISE CAPÍTULO UM
Aqui guardo um relato do meu caçula ESMJunior, quando esteve a vagar em companhia de seu anjo da guarda Fernanda que o acompanhou na Peregrinação Voluntária, devido ao trauma sofrido quando me mudei para o Salobrinho, para estagiar na disciplina de Didática concluinte do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na UESC no ano de 2002. Entreguei-o ao pai com a madrasta, ele concluinte do 3ºAno Ens. Médio e logo aprovado no vestibular da UFFRJ. A seguir minhas reflexões de como os jovens estão sujeitos à ideia perniciosa do uso de alguma substância química (será que há influência dos aditivos químicos dos alimentos industrializados que consumimos desde sempre?). Então comparei a desistência da Universidade de Eduardo Marinho (dependente de maconha) com a desistência da Universidade UFFRJ por meu filho ESMJunior em 2003/2004. Aqui quero enfatizar a experimentação do uso de drogas pelos jovens e suas consequências mentais que podem levar ao agravo de uma doença mental hereditária (ou adquirida psicilogicamente) como, a esquizofrenia ou outro tipo de problema mental. E também as consequências de separação entre pais que se separam sem antes buscarem ajuda espiritual e psicológica.
CANDANGO 2007. 
Eu ia no meio do percurso Bahia-Amazonas. Era uma manhã bonita, depois de um mês em Alto Paraíso de Goiás. Dona Luzia nos acompanhou até a beira da estrada, e aos prantos:
- Você pode trabalhar na fazenda onde meu filho trabalha.
- Temos que ir.
Mochilas nas costas, eu e Fernanda nos pusemos a caminhar. Passadas algumas horas, pára um Fiat Strada branco, um pouco à nossa frente:
- Tão indo pra onde?
- Qualquer lugar no rumo de Brasília tá bom.
- Sobe aí.
Alguns quilômetros depois, eles pararam num restaurante ou lanchonete de beira de estrada:
- De manhã cedo, a gente tava chegando em Alto Paraíso, e vocês tavam saindo. Na volta, vocês vinham longe. Vocês andaram aquilo tudo mesmo?
Eram dois amigos do Gama, cidade satélite de Brasília, funcionários de uma empresa que instala e conserta ar-condicionado, e tinham ido a serviço, num banco em Alto Paraíso. Ficaram impressionados, e pararam pra nós.
- Então, gente... Vamos levar vocês até Sobradinho, porque a partir de lá a fiscalização aperta, e não podemos transportar pessoas na carroceria.
- Tá bom demais.
Em Sobradinho:
- É o seguinte: resolvemos levar vocês até o Gama. Se cubram bem aí em cima.
E lá fomos nós.
Era noite no Gama, e eles nos levaram num bom restaurante. Tudo por conta, conversa vai, conversa vem:
- Temos um amigo que vai gostar muito de vocês. Ele fez Cuiabá-Satarém, de moto, com uns amigos, e gravou até um dvd da viagem.
Ligação feita, em alguns minutos chegou o amigo dele. Tudo muito bom, tratamento excelente, todos muito simpáticos e divertidos, e estava chegando a hora de nos despedirmos. O amigo dele tira uma chave do bolso:
- Tenho um sítio 4km saindo do Gama, na zona rural. Vocês podem ficar lá, à vontade.
Aceitamos, eles nos levaram lá, e nos despedimos.
O sítio tinha infraestrutura completa: Casa boa, piscina, horta, galinheiro, tanque de peixes, curral. Eles eram uma família de candangos, com doze filhos (se não me falha a memória). Os pais saíram do Rio Grande do Norte pra ir construir Brasília, e prosperaram.
Todos os dias, de madrugada, o patriarca ia aguar a horta, cuidar dos bichos, e das coisas. Eu ia me entrosando, e aos poucos desempenhando algumas atividades também. E todos os irmãos se revezavam nas visitas. Um mais caipira, outro gostava de alimentar os peixes, outro apaixonado por forró, outro mais intelectual, esportista, a irmã princesa... cada um tinha uma personalidade e gostos peculiares, e todos se completavam, inclusive os amigos que eram como da família. Muito amorosos e humildes, foi dos melhores tratamentos que já recebi, nos levavam pra conhecer a cidade, faziam de tudo pra ficarmos bem.
Comemoramos alguma festa no sítio, e passamos o São João juntos, ocasião em que fui montado na garupa da égua, com o caipira, pra casa deles na cidade; muito divertido. Conhecemos a mãe, e outros familiares.
Ao longo do tempo, ao colocar comida pro gado, a égua ia se chegando, até vir comer na minha mão. Ela era braba, só se dava com o caipira. Até que um dia, sentindo o afeto desenvolvido, peguei a sela, a brida, cheguei junto dela, e falei:
- Então. Me permite?
Respeitoso e calmo, selei e montei. Cavalgada maravilhosa.
Foi um mês muito especial, naquela paisagem ocre do cerrado; eu aguava horta, colocava comida pros bichos, consertamos cerca, instalamos caixa d'água torre. E chegou o dia de irmos embora. Comunicamos, e já dava pra sentir as saudades antes de partir. Eles se reuniram solenemente, numa despedida coletiva. Foi muito amor envolvido, nos tornamos muito queridos e, numa última tentativa de prolongar mais aquela vivência, os mesmos que nos deram carona em Alto Paraíso, vieram até nós:
- Seu emprego na empresa é garantido.
- Temos que ir.
Um deles tinha um amigo médico de Goiânia, que estava indo pra lá, e nos deu carona, nos recebeu em sua casa, e nos despedimos.
Eu e Fernanda acampamos aquela noite, na grama de uma praça, e nos separamos a partir dali. Ela foi pro Paraná, se encontrar com uma amiga que fizemos na Chapada Diamantina. Eu, que vinha aberto a possiblidades até ali, agora estava decidido a ir até o Amazonas, conhecer melhor o chá que eu tomara em 2004, no começo da peregrinação. Continua no Capítulo dois. . Postado por sua mãe Lucia Carmen em 
21/08/2016.

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